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O meu filho, de 12 anos, é uma criança inteligente. Nem eu nem os professores têm quaisquer dúvidas a esse respeito. Não obstante é um aluno de baixo aproveitamento. Visivelmente ele não gosta da escola. Desde o primeiro dia. Já fomos a psicólogos e a outros especialistas por recomendação quer da escola quer de pessoas amigas. Finalmente, ouvi falar do vosso instituto. Será que me podem ajudar?
A.M.Peixoto, Lisboa (por email)
Caro senhor,
O caso do seu filho é vulgar, infelizmente. Há imensas crianças que não mostram o mínimo interesse pela escola e pelos estudos. O problema pode ter as mais diversas origens e a sua descoberta constitui um dos grandes desafios para os professores e os especialistas. Nem sempre os motivos são detectáveis nem a criança ajuda pois ela mesma não sabe explicar. Apenas reconhece que não gosta de andar na escola, o mesmo é dizer, que não gosta de estudar (o que é, obviamente, diferente de aprender).
Há crianças que se habituam simplesmente a não gostar de estudar. Tudo aquilo lhes parece (no seu dizer) uma "seca", aborrecido. Ora este pode ser o principal problema da criança. Ela não acha interessante aquilo que é convidada a estudar. Será porque os métodos de ensino estão ultrapassados? Funcionaram (mais ou menos bem) numa época em que a escola era o centro do mundo das crianças. Actualmente elas vivem à velocidade da luz (dos telemóveis, dos jogos electrónicos, dos computadores, dos ipod, etc.). Isto faz com que percebam a escola de uma forma distante. E não fazem o menor esforço para vencer a "seca" em que as aulas se transformam ao longo dos anos.
De facto, a criança perde geralmente o gosto de aprender à medida que os anos avançam. O espírito de curiosidade vai enfraquecendo e a mobilização das energias é cada vez mais difícil. Para estas crianças a escola tem de propor novas estratégias de aprendizagem para que as coisas comecem a funcionar.
De pouco servem os velhos argumentos: estudar é preciso, estudar é importante para a Vida, etc, etc. Argumentos gastos e despojados de significado para quem tem 10, 11 ou 12 anos de idade e passa os dias a ouvir a mesma ladaínha.
Julgo que o mais importante (e decisivo) nestas crianças é a reconquista da vontade de aprenderem, de quererem crescer intelectualmente para se sentirem mais fortes, mais felizes e poderosas (o conhecimento dá poder).
É certo que a escola está numa fase de transformação. Velhos métodos estão pouco a pouco a serem substituídos por novas apostas. O material, ainda muito centrado nos manuais e nas imagens fixas (num mundo em que a imagem animada é crucial), está também a ser substituído pelo computador, os CD´s, etc. Os professores estão, por sua vez, numa encruzilhada. Muitos deles vão ter de mudar radicalmente pois ensinar não é transmitir doses empacotadas de informação mas antes provocar e estimular a inteligência e o pensamento do aluno. E nisso os professores ainda não estão preparados. Reconheço, porém, que os modelos e os programas de ensino estão obsoletos. Obviamente, as crianças com dificuldades (diversas) de aprendizagem estão muito entregues à sua sorte. Poucos são os que as compreendem. E, todavia, necessitam que se debrucem sobre elas para que sejam desbravados os caminhos que levem à compreensão dos factores que estejam a dificultar a sua progressão na escola.
Não se podem ignorar outras causas anteriores que podem estar na origem da dificuldade de aprender (ou na falta de vontade e motivação). Problemas de audição, de visão, de sensopercepção, de leitura, défice de atenção, etc., etc., podem provocar desinteresse por aprender. Por isso recomendo que a criança faça um exame neuropsicológico para despite de todas as possíveis causas que tenham uma origem no funcionamento de cada um (e são muitos) dos mecanismos da aprendizagem. Só depois se deverá partir para a pesquisa de outras causas (psicológicas, familiares, etc.).
Olá! Venho uma vez mais solicitar a vossa ajuda. Eu chamo-me Joana Pereira estou a terminar o curso de técnica auxiliar de infância onde o meu trabalho de final de curso é sobre crianças sobredotadas, tenho um trabalho escrito a realizar e mais tarde, mais precisamente em Maio começarei o meu estágio com crianças ditas normais onde é minha função explicar-lhes que existem crianças diferente delas, mas que no fundo são todas iguais. Para o meu trabalho escrito gostaria de saber quantos casos de sobredotação existem em Portugal. Obrigado pela vossa atenção. 